domingo, 3 de março de 2013

Comigo

É suportar a dor de se ouvir, e não cessar em dizer, e sentar pra escutar e também ouvir em pé: solidão do fim de semana. Não tem pra onde fugir, só tem a si pra companhia. É lembrar-se de si próprio num nostálgico eu criança, e também enjoar-se de si mesmo num impressionante tédio. Paradoxal eu, pobre de mim, estúpido eu. Uma corrida na praia à noite: um refrigério. E no sozinho físico, entre este pobre que vos escreve, o mar e o vento doce e frio encontro Deus e faço uma oração. Nasci de novo pela 54ª vez. To pronto pra ser eu de novo. Mais uma vez um sorriso sincero antes de dormir. Parece que eu gosto de mim. Parece mesmo.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Ciúmes

Já fiz três poemas antes de dormir. Anotei no celular pra não esquecer que a graça é bem-vinda e o coração é sincero. Olhei algumas outras vezes para esse quadro branco e não sai amor de poema, nem à pedrada. Rendo-me ao que me inunda, e por um sentimento de culpa, venho compor alívio pelas letras tecladas. Ciumes. Sinto um árduo, duro, frio e grande ciúmes. E me puno por ser assim tão estranho. E procuro a razão pra tanto amor, sabendo de cor que não há possibilidade. Sem luz no fim do túnel, sem saída para um coração burro e estúpido que insiste em derramar amor até no poste que ilumina a janela do quarto. Afinal, sem a luz dos postes não se veria a noite desenhar encanto pelas ruas estreitas. É isso. Até nas ruas tenho afeto. Tenho amor. E amor dói porque o ciúmes assalta. Amor dói.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Por enquanto

Entrei por aqui com a ideia de escrever sobre a falta. Antes disso, dediquei meu tempo a ler alguns outros, lê-los outros. Mudei de ideia. Pensei em escrever sobre "o pé atrás". Mudei de ideia de novo. Pensei em escrever sobre amor. Acabei de que me decidi: juntei a falta, o pé atrás e o amor e me citei em três pontos. E, por enquanto, não sai nada além disso. Pra escrever é preciso sentir, pensar, interpretar, vomitar o sentimento pelos dedos que, como que guiados pelo coração, tocam um piano alfabético da música da alma.  E eu ainda não tenho isso, tenho nuvem no coração, ora carregada e chuvosa fazendo pingar lágrimas nas janelas do meu eu, ora levando-me como vento leve sem que possa sentir pisar ao chão. 
Como nuvem, não sei se são fixas ou efêmeras. As nuvens reservam alguns mistérios.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

E sentir aquela vontade imensa de tirar um dias só pra mim e Deus.
E estar mais perto a cada dia. E querer que isso tudo aconteça de verdade.
E se sentir completo, não há sensação melhor!
Chega logo carnaval!

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Nada de sentido.

Decidi, por hora, assumir um relacionamento com o nada. Não resisti ao modo que mexeu em seu cabelo, me olhos nos olhos. Por tê-lo feito, o vivo. Vivo o nada. Faço nada. Sinto nada. Beijo nada. Brigo nada. Me entrego ao nada, e cansado, deixo que me faça um cafuné. Durmo com nada. Fecho os olhos, vejo nada. Entrelaço ao nada. Rendo-me ao cansaço. Trago um pouco de tristeza ao canto do olho. Não espero nada. Não acredito em nada. Ilusão, dor no coração. Um momento de silêncio: a sós com o nada.

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

bem devagarinho

"Eu sei que é complicado amar tão devagarinho
Mas eu também tenho tanto medo.
E eu me pergunto o que é que eu sou?
Vai ver eu não sou mesmo nada."

domingo, 27 de janeiro de 2013

Choveu

e mais um dia passa
e lentamente embaça
a clareza do coração.
e tudo que me circunda
atitudes, respirações, carinho
parecem me trazer pro ninho
que não me cabe mais.
e mesmo acatando a ordem
de como o dia, permanecer cinza,
fazendo o velho ranzinza
restam-me abraços sinceros.
e num singelo boa noite
perceber que agraciado
não há justiça alguma
na imensidão que sou amado.
e perceber que o motivo
de tamanha aspereza
jamais condirá com a vida
e sua incessante beleza.
resta-me, contrariado,
horizontar-me ao travesseiro
e, num refúgio bem caseiro
ser feliz com um corpo inteiro.
fecho os olhos, portanto,
grato e arrependido
e num sorriso contido,
espero o novo dia.