Me vira, mexe e contorna
embrulha com um laço,
cola com maresia
e enfeita num beijo,
Me leva.
Me leva pronde o sol não toca
e o luar domina o céu
e canta e nos faz dormir.
Enrosca suas pernas e
Me prende nos seus olhos,
Enlaça suas mãos
e me faz esquecer o mundo.
sábado, 11 de agosto de 2012
quinta-feira, 9 de agosto de 2012
Verão amor
E como se estivesse a comer o último pedaço do algodão doce que te comprei na praça, me despeço a beira do carro que, contigo, leva todos os meus planos traçados sobre o seu cheiro de manhã. E volto pra casa chutando lata e tentando planejar um novo estilo pra viver essa coisa que me sobrou da vida. Passo no supermercado e procuro um sabor de chá que não me leve ao seu pé frio do fim da tarde ou alguma comida congelada que não me lembre o barulho de você andando de meias pela casa. Ah, essas minhas associações tão estranhas quanto o encaixe que a gente se fez nesse amor de verão. Amor de verão. Esses móveis todos verão minha procura por você no vento da tarde balançando toda minha saudade no varal. De repente, o clima ficou seco, e o vinho mais ainda. Fecho os olhos e permito o sorriso tímido da lembrança boa. Lá se vai mais uma tarde, a primeira tarde sem você...
quarta-feira, 8 de agosto de 2012
Tributo a futilidade
Eu podia estufar meu peito de orgulho ao ver minha cama repleta de avessos. Eu me dava esse direito de só deixar pendurado nos cabides as bem-feitorias, preocupações com a sociedade, poses, boas posturas e cumprimento de obrigações. E então fechar as portas à chave e sair para dar uns amassos com a noite. O resto podia ficar tudo ao avesso e eu estava adorando. Eu podia sair sorrindo sozinho pela rua que, repleta de pessoas, seguia minha direção: aquela contra o vento. Ah, eu já havia destinado todos os dilemas para a roupa a ser usada e agora só me importava com o que havia de beber. Meu único objetivo seria o estado alcoólico e eu estava mesmo era me fudendo para o resto.
E sob esses focos, eu nem estava aí para quais amigos faria companhia, nem para quais pessoas daria boas doses de cara de vendedor de tapetes. A noite era minha única companhia obrigatória e eu mesmo, meu maior amante. Deixei a rua me levar, e dei meu coração ao vento. Me senti livre com uma latinha na mão, um sorriso cafajeste no rosto e milhares de desconhecidos. Ah, um brinde a liberdade! Aquele abraço apertado a quem inventou a sensação de não fazer nada de útil e sentir aquele prazer compensatório.
Sentir a alma lavada, a consciência distante, o vento usurpante e o coração livre pra um sorriso largo. Obrigado, querido fim de semana.
E sob esses focos, eu nem estava aí para quais amigos faria companhia, nem para quais pessoas daria boas doses de cara de vendedor de tapetes. A noite era minha única companhia obrigatória e eu mesmo, meu maior amante. Deixei a rua me levar, e dei meu coração ao vento. Me senti livre com uma latinha na mão, um sorriso cafajeste no rosto e milhares de desconhecidos. Ah, um brinde a liberdade! Aquele abraço apertado a quem inventou a sensação de não fazer nada de útil e sentir aquele prazer compensatório.
Sentir a alma lavada, a consciência distante, o vento usurpante e o coração livre pra um sorriso largo. Obrigado, querido fim de semana.
alcance
Eu queria poder saber mais de mim pra ousar alguma aproximação mais sólida, daquelas que levam a beijo na boca. Eu queria passar desse estágio de te ver dançando em câmera lenta, com um sorriso alcoólico daqueles de parar o tempo e a blusa molhada pelo álcool que, desejando seu corpo, o tomou, diferente de mim. Eu queria ser menos babaca e não precisar sair mentindo por aí.
sexta-feira, 3 de agosto de 2012
Grande Merda
Sério? Ah, fico feliz por isso, obrigado mesmo.
Pra falar bem a verdade eu já estou virando mestre em estampar essa minha cara de vendedor de tapetes e sorrir e agradecer. Dessa vez foi uma amiga do colégio que eu reencontrei no caminho da locadora (obviamente quem estava indo lá era eu, ela provavelmente tem uma vida). Disse que estou bem mais bonito e pareço, assim, não sabe bem explicar mais é uma coisa boa. Minha vontade foi nem responder, abrir a carteira e indicar um oftalmologista (sempre carrego um cartão para essas ocasiões que, sinceramente, eu não sou obrigado). Mas não o fiz, porque apesar de tudo ainda sou um filhinho da mamãe e educação é primordial pra ser uma cara legal. Não deu certo comigo, mãe. Coitada, devo estar a julgando mal, ela não deve ser lá aquela míope tipo a dona Bete do 37 e só quis me agradar. As vezes, essa minha amiga se evoluiu espiritualmente e consegue enxergar um futuro daqueles bem longínquos. Idiota. Eu. Não ela. Ela só não conseguiu perceber os meus olhos fundos refletindo o vazio na alma que estou carregando, só não percebeu que estava indo a locadora num sábado a tarde e que pelo meu cabelo todo despenteado, eu não teria companhia pra ver os tais filmes. E que eu estava falando sozinho quando ela me abordou. Ela só não percebeu que eu ando por aí invisível e no máximo agradeço pelo elogio de alguma bem-feitoria que eu tenha feito. Grande merda. Ela só viu, ou não viu, aquilo que todo mundo, ou ninguém, vê, ou não vê. Entende? Ela é igual todo mundo. Todo mundo.
Pra falar bem a verdade eu já estou virando mestre em estampar essa minha cara de vendedor de tapetes e sorrir e agradecer. Dessa vez foi uma amiga do colégio que eu reencontrei no caminho da locadora (obviamente quem estava indo lá era eu, ela provavelmente tem uma vida). Disse que estou bem mais bonito e pareço, assim, não sabe bem explicar mais é uma coisa boa. Minha vontade foi nem responder, abrir a carteira e indicar um oftalmologista (sempre carrego um cartão para essas ocasiões que, sinceramente, eu não sou obrigado). Mas não o fiz, porque apesar de tudo ainda sou um filhinho da mamãe e educação é primordial pra ser uma cara legal. Não deu certo comigo, mãe. Coitada, devo estar a julgando mal, ela não deve ser lá aquela míope tipo a dona Bete do 37 e só quis me agradar. As vezes, essa minha amiga se evoluiu espiritualmente e consegue enxergar um futuro daqueles bem longínquos. Idiota. Eu. Não ela. Ela só não conseguiu perceber os meus olhos fundos refletindo o vazio na alma que estou carregando, só não percebeu que estava indo a locadora num sábado a tarde e que pelo meu cabelo todo despenteado, eu não teria companhia pra ver os tais filmes. E que eu estava falando sozinho quando ela me abordou. Ela só não percebeu que eu ando por aí invisível e no máximo agradeço pelo elogio de alguma bem-feitoria que eu tenha feito. Grande merda. Ela só viu, ou não viu, aquilo que todo mundo, ou ninguém, vê, ou não vê. Entende? Ela é igual todo mundo. Todo mundo.
fazendo escala
"Nunca sei se estou lendo perfeitamente a situação, eu sou meio minhoca pra essas coisas, não sou exatamente o tipo de cara que sabe o que fazer. Sempre acho que, na verdade, isso que eu acho que é, nunca é. E que eu vou levar um fora na metade do caminho até a boca dela. E aí ela vai espalmar a mão no meu peito e dizer coisas como “Não sei se a gente devia” ou “É impressão minha ou tinha alho no Yakissoba?” Então prefiro ficar na minha, até que a fruta caia no meu colo de tão madura. Se eu fecho os olhos e imagino, a cena fica boa; mas aí miro ela e minha boca parece estar em Madrid, e a dela em Tóquio. Quando tudo vai bem é porque chegou a hora de alguma coisa dar muito errado."
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